quarta-feira, maio 31, 2006

Os CRVCC
Assisti, há poucos anos, em Salónica, na Grécia, a uma discussão interessantíssima a propósito de aprendizagens não-formais entre um dos pais da visão continental dos processos de certificação dessas mesmas aprendizagens, o Jens BJORNAVOLD, e um representante da corrente anglo-saxónica, o Michael ERAUT. É claro que concordei com o Michael ERAUT que advogava que muito mais importante que a formalização (certificação) das competências era o reconhecimento que, caso a caso, o mercado delas fizesse. E é nisto que o Anarca está a pensar quando diz o que diz. Mas o Anarca, que vive nos corredores da Universidade e que, a espaços, passeia pelos corredores outrora alcatifados dos Conselhos de Administração, esquece-se que parte do país real – o país que eu sei que o preocupa e que ele se esforça por conhecer, mas que duvido que conheça – é ligeiramente mais trôpego, inseguro e assustado que os participantes nas Leichester Conferences. A grande virtude dos CRVCC não é tanto o jeito martelado com que resolvem os problemas das estatísticas da escolaridade portuguesa, é o boost de auto-estima que dá a gente menosprezada, mal tratada, com fracos índices de confiança e que, através daquele processo, robustece-se e torna a acreditar em si. Em alguns casos até, ganha confiança para se aproximar da escola e da escolaridade dos filhos!
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Adenda: Bem sei que advogar os CRVCC como meio de reforço da auto-estima é um bocado paternalista e socializante, mas, entre o dinheiro mal gasto pelo Estado este será, talvez, o menos mal gasto. Portugal precisa de reforçar os seus índices de confiança para, incrementalmente, rasgar o manto da subserviência e da ignorância. E se o Estado, ainda que inavertidamente, ainda que com outros objectivos, ajudar a emancipar as pessoas, tanto melhor...
O Estado da Arte [Profecia]
Sempre admirei muito Sá Carneiro e mais tarde aprendi a respeitar Adelino Amaro da Costa. (citação mais ou menos fiel de Paulo Portas) Não tanto esta afirmação, mas o que lhe subjaz, ainda vai ser um hot issue na política portuguesa. Nem que seja daqui a uns anitos...

terça-feira, maio 30, 2006

Not in the mood...
...for blogging!

quarta-feira, maio 24, 2006

[Retratos dos nossos] Angola, Tchamutete, 1958
À mingua de água, a trabalhar no campo, agitavamos com a mão a água do canal de rega que vinha de longe. A mesma água por onde tinham passado, em manada, os animais horas antes. Agitavamos e, como que limpa por esse gesto, bebiamo-la saciando a sede.

terça-feira, maio 23, 2006

[M.C. Escher's "Bond of Union" C 2005 The M.C. Escher Company-Holland. All rights reserved. www.mcescher.com]

[Notas sociológicas] Identidade
Quem és tu?
Quem pensas que és, quem pensam que és, quem querem que penses que és, quem conseguem pensar que és, quem consegues pensar que és?
Uns senhores (Albert e Whetten, 1985), a propósito de Identidade Organizacional, resumiram a coisa a isto: (i) o que é que os membros da organização consideram central na organização?; (ii) o que é que distingue a organização das outras?; e (iii) o que é que é percebido pelos membros da organização como sendo durável e que confere a ligação entre o passado o presente e, presumivelmente, o futuro da organização?
Lendo isto (sobretudo o ponto i e o ponto iii) somos levados a crer que o conceito de identidade tem muito de auto reflexivo. Por princípio parece-me bem. Mas que efeitos tem o contexto sobre o indíviduo? É evidente que o indíviduo pode sempre alterar o contexto; pelo menos, para sermos conservadores, durante o tempo em que ele nele participar. Mas... e o contexto, pode alterar inexoravelmente o indíviduo? E ele? Será o que o contexto dele fizer ou será o que as suas predisposições o leva(ra)m a crer que seria?
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Albert, S. e Whetten, D.A. (1985). Organizational identity. In L.L. Cummings e B.M. Staw (Eds) Research in organizational behavior (Vol. 7, pp-263-295) Greenwich, CT: JAI

quinta-feira, maio 18, 2006

DECEPÇÃO
Tinha-se um cão cansado de tal maneira a correr atrás da própria cauda, que acabara por abandonar a perseguição, enrolando-se todo para descansar. Uma vez nesta posição apercebeu-se de que tinha a cauda mesmo a jeito e ferrou-lhe os dentes com tal avidez que a largou logo a seguir, cheio de dores.- Afinal de contas – concluiu – há mais prazer na perseguição do que na posse.
[Ambroise Bierce, Fábulas fantásticas]
...está a chegar a hora de tornar a correr atrás da cauda.
Afonso
[em homenagem ao meu querido e encantador filhote]
Todos os dias, depois da pequena Carolina adormecer, e já satisfeito com a sua dose diária de desenhos animados, o doce Afonso irrompe pela cozinha com um sorriso traquina e ar inquisidor. Todos os dias, nesse momento, repito a frase: "nobody expects the spanish inquisition!"
Especialmente a pensar nele:
# THE SPANISH INQUISITION
Peasant: "I didn't expect a kind of Spanish Inquisition."
Cardinal Ximinez: "Nobody expects the Spanish Inquisition! Our chief weapon is surprise...surprise and fear...fear and surprise.... Our two weapons are fear and surprise...and ruthless efficiency.... Our *three* weapons are fear, surprise, and ruthless efficiency...and an almost fanatical devotion to the Pope.... Our *four*...no... *Amongst* our weapons.... Amongst our weaponry...are such elements as fear, surprise.... I'll come in again."

terça-feira, maio 16, 2006


Sex(mail)
She said: I used to like hot(mail) messages, but since he show me the G(mail) spot… the things have never been the same.

segunda-feira, maio 15, 2006

Não resisti à tentação, afinal José Cid é José Cid...
... e eu, se fosse uma canção do José Cid, seria:
Grande Grande Amor. Você preenche todos os requisitos para ser o chamado “cidadão do mundo”. Adora viajar e imagina o dia em que pega na sua mala de cartão e parte à conquista do mundo. É alguém vivido, sempre a olhar para a frente e que gosta do imprevisto.
Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye,
Amore , amour, meine liebe, love of my life.
Se o nosso amor findar,
Só me ouvirás cantar,
Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye,
Amore , amour, meine liebe, love of my life
Notícias Realmente Importantes
Maternidades encerradas e o “direito” de dar à luz na “nossa terra”
Tenho ouvido, contra a decisão do governo de encerrar algumas maternidades as mais variadas reacções. Esta decisão é, aparentemente, suportada em relatórios técnicos que asseguram a falta de condições de segurança para as parturientes e respectivos filhos em partos levados a cabo nas maternidades a encerrar. Mais acresce que a mesma decisão é corroborada por critérios de natureza económica que alertam para a ineficiência da manutenção de tais maternidades.

Contra isto têm-se ouvido reacções que advogam a defesa do “direito” de dar à luz “cá na nossa terra”; entenda-se por “terra”: “cá no nosso concelho”, “cá no nosso distrito”, “cá no nosso país”. Ora eu, pessoalmente, não creio que esse “direito” seja uma coisa muito cristalina, já que agora ninguém nasce, nem desde que os partos deixaram de ser feitos em casa, no Concelho de Cuba, nem no Concelho de Alvito, nem na freguesia de Vila Ruiva, nem em milhares de “terras” nossas por esse país fora.

Pergunto, deveremos, em nome do “direito” – um bocado oitocentista… – “de dar filhos à terra”, continuar a financiar uma rede ineficiente e, pior, ineficaz (no que, neste caso, isso, de grave, comporta!) de maternidades? Sabendo que o imobilismo que isso demonstra não salvaguarda coisa alguma? Nem um “direito” universal de dar à luz na “nossa terra”?!
[Hieronymus Bosch]


O Perdão, supremo castigo!

O Perdão não é um acto humano, e, portanto, também não é um acto de humanidade. Ao contrário. Quem perdoa amesquinha e faz sofrer aquele a quem perdoa da pior maneira possível. Perdoando, o que perdoa sobe aos céus e, do alto da sua santidade martirizada, amnistia o perdoado. Fazendo-o, não só não lhe retira a culpa, como lança o ofensor na solidão dessa mesma culpa. É como quem diz: olha, estou fora, o que me fizeste já passou e, pela minha parte, estás perdoado; se ainda sentes alguma culpa (e é certo que sente), estás sozinho nesse deserto de sofrimento.

O Perdão é, indiscutivelmente, um acto Divino. Não um acto de um Deus infinita e exclusivamente bom. Mas um acto de um Deus omnipotente, que cede também à tentação, que castiga e faz sofrer. Um Deus do Antigo Testamento. Um Deus como o retratado no livro de Job. Um Deus que falha no inverosímil desígnio anunciado pelo Novo Testamento: o da omnipresente, infinita e exclusiva bondade.

Num ponto, contudo, a Igreja tem razão. Quando, por via da confissão e da contrição, e em nome de Deus, absolve dos pecados os penitentes, fá-lo verdadeiramente; já que ressalva que a sua absolvição só é verdadeira na medida em que o arrependimento seja verdadeiro.

O Perdão só resulta e é efectivo, para aqueles que se sabem pecadores e que sofrem com essa falha. E é nesses que o castigo fere mais fundo.

(In)decisão
Quanto tempo é possível protelar um momento incontornável?

sexta-feira, maio 12, 2006


[Ponta sul] Gosto destas camisolas...
Aquelas riscas verdes...
VITÓRIA!!!
Separados à nascença (Carlos Barbosa e Fernando Pessoa)
FRIDAY
I don't care if monday's blue
Tuesday's grey and wednesday too
Thursday i don't care about you
It's friday i'm in love
Monday you can fall apart
Tuesday wednesday break my heart
Thursday doesn't even start
It's friday i'm in love
Saturday wait
And sunday always comes too late
But friday never hesitate...
I don't care if monday's black
Tuesday wednesday heart attack
Thursday never looking back
It's friday i'm in love
Monday you can hold your head
Tuesday wednesday stay in bed
Or thursday watch the walls instead
It's friday i'm in love
Saturday wait
And sunday always comes too late
But friday never hesitate...
Dressed up to the eyes
It's a wonderful surprise
To see your shoes and your spirits rise
Throwing out your frown
And just smiling at the sound
And as sleek as a shriek
Spinning round and round
Always take a big bite
It's such a gorgeous sight
To see you eat in the middle of the night
You can never get enough
Enough of this stuff
It's fridayI'm in love

[Cure, Friday]
[EpiCurtas revisitado] Manuel Maria Carrilho
Em Outubro de 2003, motivado, por certo, por mais um disparate da Srª Gomes escrevi no EpiCurtas o post que abaixo se reproduz. Vá-se lá saber porquê, com mais esta irritação pública do Manuel Maria Carrilho, lembrei-me disto outra vez. E olha que apropriado, hem... o homem até vive ali na zona da Praça de Londres.

Contributos para compreender o PS da Srª Gomes e o “Socialismo” da Avª de Roma
1. Expressar amiudadamente indignação por práticas anti-democráticas dos “outros”;
2. Mostrar uma elevação moral muito acima de todos os “outros”, suportada por um passado de luta anti-fascista;
3. Ser mais culto que os “outros”;
4. Ser amigo do Eduardo Prado Coelho;
5. Preferir a Barata à FNAC para comprar livros;
6. Ser incoerente nos valores e inconsequente na política;
7. Ser de esquerda, mas detestar o povo que fique pr’àlem da Mexicana;
8. Falar francês;
9. Ser arrogantemente superior aos “outros”;
10. Anunciar coragem em enfáticos discursos ao som de Vangelis.

Freitas do Amaral, um homem da Moral
INTRUSÃO
A Moral meteu o dedo grande do pé na política internacional, e ficou logo sem ele.
- Mil agradecimentos – declarou a Diplomacia, fazendo graciosa vénia. – Vamos conservar este dedo como recordação de uma grande honra.
E, a partir daí, a Moral passou a manquejar um tanto.

[Bierce, Ambroise, Fábulas Fantásticas, edição portuguesa: Editorial Estampa, Livro B]

quinta-feira, maio 11, 2006


CDS
[André Azevedo Alves pergunta se o CDS ainda faz sentido, Paulo Pinto Mascarenhas reforça a pergunta e Adolfo Mesquita Nunes conta uma muito interessante estória sobre os tempos da fundação do partido]

Eu passei, há mais de 10 anos, 2 anos no CDS. Mais propriamente na então Juventude Centrista. Era militante em Cascais. Não guardo uma boa memória da experiência. A minha inexperiência mergulhada no caldo conspiratório que se vivia permanentemente no partido não teve, obviamente, bom resultado. Saí. Conservo dessa altura a sensação de que o CDS é um partido minúsculo, onde toda a gente se conhece, e onde passados alguns anos de convívio partidário todos já foram amigos e aliados políticos de todos e adversários dos mesmos. Para um partido tão pequeno e com um potencial tão grande, convenhamos que não é boa coisa. Digo potencial, mas não julgo que este resulte de características intrínsecas do partido, mas antes de uma alteração paulatina que os ambientes urbanos da sociedade portuguesa têm vindo a sofrer. Mas parece que o partido não está disposto a compreender isto de uma vez por todas.

Limitam-se, congresso após congresso, conselho nacional após conselho nacional, tragédia após tragédia, a repetir ad nauseum a fantástica rábula dos Monty Phyton. Nós gostamos dos Monty Phyton, mas achamos que nesta versão os protagonistas são um bocado canastrões. Quer dizer, é como dizer que gostamos do Shakespeare, mas a companhia de teatro amador de Alguidar-de-Baixo não é a nossa companhia de eleição. Ainda para mais se se der à liberdade de adaptar o guião à sua pequena realidade.

BRIAN: Are you the Judean People's Front?
REG: Fuck off!
BRIAN: What?
REG: Judean People's Front. We're the People's Front of Judea! Judean People's Front. Cawk.
FRANCIS: Wankers.
BRIAN: Can I... join your group?
REG: No. Piss off.
BRIAN: I didn't want to sell this stuff. It's only a job. I hate the Romans as much as anybody.
PEOPLE'S FRONT OF JUDEA: Shhhh. Shhhh. Shhh. Shh. Shhhh.
REG: Stumm.
JUDITH: Are you sure?
BRIAN: Oh, dead sure. I hate the Romans already.
REG: Listen. If you really wanted to join the P.F.J., you'd have to really hate the Romans.
BRIAN: I do!
REG: Oh, yeah? How much?
BRIAN: A lot!
REG: Right. You're in. Listen. The only people we hate more than the Romans are the fucking Judean People's Front.
P.F.J.: Yeah...
JUDITH: Splitters.
P.F.J.: Splitters...
FRANCIS: And the Judean Popular People's Front.
P.F.J.: Yeah. Oh, yeah. Splitters. Splitters...
LORETTA: And the People's Front of Judea.
P.F.J.: Yeah. Splitters. Splitters...
REG: What?
LORETTA: The People's Front of Judea. Splitters.
REG: We're the People's Front of Judea!
LORETTA: Oh. I thought we were the Popular Front.
REG: People's Front! C-huh.
FRANCIS: Whatever happened to the Popular Front, Reg?
REG: He's over there.
P.F.J.: Splitter!

[Life of Brian, Monty Phyton]
Mito urbano: a esquerda monopolista da Justiça social
[destinatário preferencial: Bibliotecário Anarquista]
Rights of labour were as sacred as the rights of property.
Benjamin Disraeli (1804-1881), Primeiro-ministro Conservador britânico.
FREAKONOMICS, ou de como (re)encontrar o prazer nas ciências sociais (#2)
Guia para professores, aqui.

[Mundo ao contrário, #3] ONU e os Direitos Humanos
Com esta notícia, que dá conta da entrada de Cuba, da Arábia Saudita e da China no Conselho das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o mundo, definitivamente, precisa de reforma. É uma triste notícia que merece recordar, a título de exposição do acontecimento ao ridículo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos: aqui.

quarta-feira, maio 10, 2006

e-femérides sempre em atraso nos meus blogs...
O Mar Salgado fez 3 anos. Quando comecei o EpiCurtas, o Mar Salgado fazia parte do grupo de blogs que lia. Continua a fazer (agora menos, porque agora também leio menos blogs). Seja como for, já lá vai tanto tempo!!! Pela estoicidade e pela qualidade (excepção feita a algumas manifestações futebolísticas de mau gosto! - sabem que por cá o futebol é verde...) um valente abraço de Parabéns!
O aperto de mão de Freitas a Mahmoud al-Zahar
Politicamente, parece-me um acto absolutamente inaceitável, nos dias que correm, por parte de um representante de um estado da União Europeia, ainda para mais chefe da diplomacia de um dos estados dessa mesma união. É um erro, um erro grave e que só pode ter uma consequência: a imediata destituição do cargo. Do ponto de vista pessoal parece-me haver ainda duas leituras possíveis. Uma atenuante e outra agravante. A atenuante é a que se permite presumir que, apesar das questões de Estado, pode haver uma relação de amizade entre os dois homens e não se nega um aperto de mão a um amigo; mas nesse caso, obrigam-se simultaneamente a reservar sobre o acto a parcimónia e a discrição que não comprometa nenhum deles. Coisa que, manifestamente, não aconteceu. A agravante é que tudo isto foi resultado de uma falta de discernimento - quiça motivada pelo cansaço - momentânea. Mas os lapsos assumem-se igualmente e não resta outra alternativa, a alguém que amiudadamente nos quer dar lições de comportamento elevado, que não seja pedir a demisão.
Seja como for, é certo que nos próximos dias vamos enriquecer o nosso léxico.

FREAKONOMICS, ou de como (re)encontrar o prazer nas ciências sociais
Guia para estudantes, aqui.
[Black square, Kasimir Malevich]
Estados de alma
A negro.
[Diferenças entre o EpiCurtas e o eMOLESKINE] Minuto de ódio
No EpiCurtas, o meu "Minuto de ódio", que Orwell, no 1984, descrevia como o momento em que os cidadãos invectivavam Goldstein, o Grande Inimigo do Estado, seria, provavelmente , dedicado a alguns dos que me rodeiam profissionalmente; particularmente os que, neste contexto, exercem algum ascendente hierarquico sobre mim. Fa-lo-ia, no EpiCurtas, com estrondo. Aqui não. Esta é mais uma prova da mudança. Aqui o meu "Minuto de ódio" é-me inteiramente dedicado. É a mim que invectivo. Pela inenarrável credulidade de que as coisas estruturalmente más podem mudar. Logo eu, que sou muito mais Hobbesiano que Rousseauniano. Logo eu, que sou de Direita.

[Gigantes e Anões] The incredible shrinking man
Filme de 1957 de Jack Arnold, baseado no romance homónimo de Richard Matheson. É a história de um homem que depois de exposto a uma nuvem radioactiva começa paulatinamente a encolher. A encolher. A encolher. A encolher. A encolher. Uma excelente metáfora do efeito anti-Pigmalião.

segunda-feira, maio 08, 2006

O estado de espírito a que me querem levar...

São voltas e voltas sem parar
Em sonhos nocturnos
Em sonhos de encantar
Muitos enredos histórias reais
Que envolvem mas acordam sem avisar.
[entre aspas]
[Epicurtas revisitado] Todos os anos, por esta altura, é a mesma coisa


O fisco e a sexualidade. Ao tratar da papelada para o IRS e notando na terminologia usada para designar o contribuinte (sujeito passivo) ficamos com uma ideia clara sobre quem é que faz o quê a quem!

Filosofando
A ociosidade é a mãe de todos os vícios e a segurança a mãe de todos os medos.

Mundo ao contrário, #2
Porque é que parece que Tony Blair prefere David Cameron a Gordon Brown?

O mundo ao contrário, #1
Porque é que eu que não votei PS dou comigo a dizer aos eleitores PS que a governação Sócrates não está a ser tão má assim?

A lata
Marques Mendes, este fim de semana, terá criticado o governo por não fazer emagrecer o Estado. É preciso ter lata!

Mau tempo no partido
Aparentemente José Ribeiro e Castro está preparado para o mau tempo; pode vir chuva, vento ou granizo. E para a política, será que está preparado?
[adenda: ser eleito lider do partido 3 vezes no espaço de um ano mostra que não parece estar...]

[Ponta sul] Paços de Ferreira, Capital do móvel.
Pague 1 e leve 3

sexta-feira, maio 05, 2006


Desesperança
Angelina Jolie, aliás Mrs. Smith (em Mr. e Mrs. Smith) diz, em certo momento, qualquer coisa como: uma história com um final feliz é, simplesmente, uma história que ainda não acabou. Olhando para a Angelina Jolie há outras desesperanças que me ocorrem...

[Alentejo] A Ovibeja.
É uma feira pequena. Alicerçada, estrito senso, em torno de um sector de actividade moribundo. Como feira de actividades económicas, lato senso, não apresenta uma ideia inovadora ou um negócio francamente dinâmico que a região seja capaz de “exportar”. A animação musical não é entusiasmante. Porquê, então, este sucesso? Porque ao contrário daquilo que se possa pensar, e apesar de conservar uma dinâmica de debate em torno de hot issues para a região, a Ovibeja não é uma feira. É uma festa. A festa do equinócio da Primavera. A celebração do fim das chuvas e o início do convívio em espaço público. É também por isso que as ovinoites são o sucesso que são. É bom? É mau? É pouco? Não me cabe a mim responder. Sinto-me, tristemente, cada vez mais um outsider nesta região.
[Retratos dos nossos] Angola, Tchamutete, 1954
Descarregaram-nos cá. Os nossos velhos traziam um nó no estômago, um aperto no coração e uma ilusão na cabeça. Estavam longe de adivinhar que 20 anos mais tarde, o calvário libertador em que até esse momento a sua vida se transformará terminará de forma devastadora. Sem ressurreição. Terão vivido uma felicidade conquistada a pulso no degredo do Império e morrerão infelizes e desamparados no degredo da Europa; na mesma terra madrasta que os viu nascer. O que gozarem da vida é o que esta terra de pretos, a troco de 20 anos de trabalho árduo, lhes proporcionar. Nós, os mais miúdos, somos a caricatura do branco ignorante em terras africanas. Depois da grande inquietação e do susto que os pretos nos causaram, lá os esfregamos, ainda a medo, para lhes tirar o carvão que lhes cobre a pele.
[MC Escher]


[EpiCurtas revisitado] Declaração de princípios, #1
Notas soltas sobre o caminho para a Direita portuguesa
- Ser uma direita laica. Podem ser católicos, podem ser judeus, podem ser islâmicos, podem ser ateus, podem ser maçons, podem nem saber o que são do ponto de vista religioso, mas saberão, sempre, separar religião e política.
- Ser uma direita liberal. Que acredita no mérito individual, que preza acima de tudo a liberdade e que acredita que são os privados o verdadeiro motor do progresso social.
- Ser uma direita conservadora. Que olha para a história com a tranquilidade de quem sabe que há valores mais importantes que aqueles que lupa do presente muitas vezes nos quer fazer crer, que acredita mais em reformas que em revoluções.
- Ser uma direita pluralista. Que respeita e acolhe no seu seio diversas sensibilidades, que é acolhedora e não discriminatória.
- Ser uma direita aberta. Que reconhece o papel dos partidos, mas que tem nos cidadãos independentes e comprometidos com a causa pública o seu principal aliado.
- Ser uma direita profissional. Composta por profissionais das mais diversas áreas, profissionais que participam na construção de soluções para os problemas que melhor conhecem. Uma direita com menos políticos profissionais e com mais profissionais políticos.
- Ser uma direita cívica. Feita de gente comprometida com causas sociais. Gente que está na sociedade civil, não poucas vezes a fazer o trabalho que nem o Estado nem as empresas querem ou conseguem fazer.
- Ser uma direita séria e honesta. Uma direita que assume sempre a verdade, mesmo quando as pessoas a não querem ouvir. Uma direita capaz de anunciar tempos de crise. Uma direita que não comprometa o futuro para falsear o presente.
- Ser uma direita responsável. Uma direita que se centre nas questões verdadeiramente estruturais para o desenvolvimento do país: a Educação e a Formação Profissional, as Empresas e o Emprego.
- Ser uma direita responsabilizadora. Que saiba e que diga claramente que não é nas mãos do Estado que está a responsabilidade do desenvolvimento, mas antes nas dos privados a quem o Estado não criará obstáculos. Mas uma direita que chame a si a tarefa de colocar em plenas condições de igualdade, sem paternalismos, todos os seus cidadãos; estejam eles no Chiado, na Cova da Moura ou em Corte Gafe no concelho de Mértola.

quinta-feira, maio 04, 2006

[Retratos dos nossos] Trás-os-montes, Carrazeda de Ansiães, 1954
O castanheiro centenário marcava a paisagem e a aldeia. Naqueles tempos não havia nada mais de que nos pudessemos orgulhar, para lá daquele castanheiro. Era, em boa verdade, a única coisa bela e a única coisa boa. Tudo o resto era uma existência miserável. Do amor - aquele que cantam os poetas - nunca lhe vimos, eu e os meus irmãos, sequer a sombra; nem o de mãe. O pastoreio era doloroso; com os pés descalços, no campo, não há flauta de pan que alivie a dor. A taberna do Jaquim era fétida e sombria e nós, com a nossa idade, nem sequer lá podiamos entrar. A água para a cozinha e para as lavagens - poucas - era transportada à mão, numa bacia, da fonte da aldeia até ao casebre desgraçado onde viviamos.

EpiCurtas e o envelhecimento na blogosfera
Durante 3 anos o EpiCurtas foi o meu blog. 3 anos! Eu que sou um diletante, olhando agora para trás, é com natural estranheza que vejo um rasto tão longo. É verdade que estive perto de o fechar várias vezes e é igualmente verdade que até criei (ou quase criei) outros blogs, mas era ao EpiCurtas que voltava, porque era no EpiCurtas que me sentia bem. O prazer é o principio e o fim de uma vida feliz era a frase de Epicurus que se lia por baixo do título do blog. E se durante muito tempo foi uma frase na qual me revi bastante, presentemente já nem tanto. Provavelmente envelheci...
O eMOLESKINE prefere, nesta fase da minha vida, a citação de Churchill: All great things are simple, and many can be expressed in single words: freedom, justice, honor, duty, mercy, hope.