terça-feira, agosto 22, 2006


As crianças que faltavam
O Daniel Oliveira, na caixa de comentários do post Abjecto diz que “Todas as imagens que aqui estão são do Hamas e não do Hezbollah. Suponho que para si é irrelevante. São árabes e pronto.” É verdade, Daniel. É verdade que, para o efeito – o de ilustrar a utilização abjecta de crianças numa guerra que não é delas – é irrelevante que sejam do Hammas ou do Hizballah. Até porque o tema que o post tratava era, sobretudo, o ataque conjuntural a Israel e o apoio dissimulado dos seus camaradas à “causa palestiniana”, precisamente como forma de ataque estrutural a Israel. E nesse aspecto, essas alegadas “manifestações pela paz” olvidam sempre as atrocidades quer do Hammas, quer do Hizballah; o que, convenhamos, faz crer que o entendimento de irrelevância da diferença esteja, igualmente, do vosso lado. É caso para dizer, parafraseando-o, que suponho que para si seja irrelevante; são contra Israel e contra os Estados Unidos e pronto! Quanto a mim e onde se engana é que não é porque “sejam árabes e pronto!”, mas porque são fundamentalistas e terroristas islâmicos e pronto. Mas como não quero que lhe falte nada, aí vão as fotos das crianças do Hizballah…

5 comentários:

Planície Heróica disse...

Irrelevante foi o comentário desse cavalheiro. Este tipo de preciosismo é típico da fauna do Bloco. O cavalheiro certamente achou que marcou pontos e te intimidou com o seu rigor -não te esqueças que o rapaz andou por lá a fazer perguntas muito inteligentes-... Este é o tipo de de intervenção 'assertiva e clarificadora' que marca pontos junto de 'caramelos' imberbes e inseguros com vontade de chatear os papás.
Na prática, como demonstraste nesta posta, estes métodos são improcedentes e não têm valor nenhum.

Um abraço,
Francisco Nunes

P.S.: Estava já a acabar de comentar quando constatei que na lógica 'pesporrenta' desse cavalheiro este comentário até poderia validar o seu dixote 'são árabes e basta'. Não valida.

No entanto é forçoso reconhecer que Hezbollah e Hamas são financiados pela mesma rapaziada e apoiados pelos mesmos idiotas úteis do Ocidente e raptam soldados israelitas na mesma semana.

São estes moralistas politicamente correctos de esquerda que, ao fim e ao cabo, são racistas: afirmar o direito à diferença como forma de justificar estes terroristas só significa que "para quem é [leia-se: árabes], bacalhau basta [leia-se: Hamas, Hezbollah, taradinho do Irão ou outro muito democrata e fundamentalista muçulmano qualquer].

Planície heróica disse...

Antes que apareça por aí um fulano esquerdóide muito culto, esclareçamo-nos: sim, sim, sim, sabemos que os iranianos não são árabes...

O bibliotecário anarquista disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
O bibliotecário anarquista disse...

Grande Pedro,
É bom não confundir o pensamento de esquerda com simpatia pelo Hammas, Hezbollah, Al-Qaeda, Talibans, etc. O pensamento de esquerda é por natureza laico. Quanto mais de esquerda for mais se aproxima do ateismo. Ao contrário (MUITO AO CONTRÁRIO) do fundamentalismo islâmico, que é por natureza confessional (tal como o CDS/PP).

Contudo ser de esquerda é perfeitamente compativel com a simpatia e solidariedade com a causa palestiniana, que não se pode confundir nunca com a causa do Hammas (como sabes nem todos os palestinianos votaram no Hammas). Seria tão ridículo como os palestinianos confundirem os portugueses com o "esses socialistas" (uma vez que neste momento somos governado pelo Partido Socialista)... ou os autríacos com nazis...

O que é curioso é que os terroristas de hoje (fundamentalistas islâmicos / neo conservadores islâmicos) são os descendentes daqueles que receberam apoio financeiro e armas do ocidente para massacrar os lideres e militantes socialistas e o comunistas nos países islâmicos nos anos 70 e 80.

Mais curioso ainda é que os seus principais opositores agora são os neo conservadores "ocidentais" ou a Direita Neo Medieval Americana (Samir Kassir) que ideologicamente mais se aproxima, pois ambos são confessionais (cristãos e muçulmanos).

Estaremos mesmo a assistir a uma reedição das cruzadas? Se for os muçulmanos já não têm o Saladino para os defender e os cristãos têm a frota naval americana em que basta uma esquadra de porta aviões para partir tudo.

Um abraço,

Anónimo disse...

Parabéns pelo post, acertou na mouche. Acho inqualificável que este tipo de raciocínio, tão próprio do Bloco e dos seus "bloqueados", não seja desmontado publicamente. Também me faz alguma espécie que pessoas como o Daniel Oliveira não sejam desmascaradas no seu totalitarismo por este tipo de argumentação perigosa e continuem a aparecer, com a cobertura dos media, como paladinos das liberdades e dos direitos humanos. E quanto à suposta confusão que se deve evitar entre o pensamento de esquerda e este tipo de simpatias, cabe dizer que não, não se trata de confusão, ou de análise falhada, mas de constatação de factos: são estes senhores, os de sempre, que aparecem invariavelmente a defender estes grupos, com a lógica relativista do costume. E as crianças, se forem do Hizballahh (repare-se na perversão da determinação da posse!), azar o delas: porque no discurso dos Daniéis Oliveiras deste mundo, deixam de ser crianças - são pormenores discursivos numa guerra ideológica em que vale tudo desde que se seja contra Israel e quejandos.
Ana F.