quarta-feira, maio 31, 2006

Os CRVCC
Assisti, há poucos anos, em Salónica, na Grécia, a uma discussão interessantíssima a propósito de aprendizagens não-formais entre um dos pais da visão continental dos processos de certificação dessas mesmas aprendizagens, o Jens BJORNAVOLD, e um representante da corrente anglo-saxónica, o Michael ERAUT. É claro que concordei com o Michael ERAUT que advogava que muito mais importante que a formalização (certificação) das competências era o reconhecimento que, caso a caso, o mercado delas fizesse. E é nisto que o Anarca está a pensar quando diz o que diz. Mas o Anarca, que vive nos corredores da Universidade e que, a espaços, passeia pelos corredores outrora alcatifados dos Conselhos de Administração, esquece-se que parte do país real – o país que eu sei que o preocupa e que ele se esforça por conhecer, mas que duvido que conheça – é ligeiramente mais trôpego, inseguro e assustado que os participantes nas Leichester Conferences. A grande virtude dos CRVCC não é tanto o jeito martelado com que resolvem os problemas das estatísticas da escolaridade portuguesa, é o boost de auto-estima que dá a gente menosprezada, mal tratada, com fracos índices de confiança e que, através daquele processo, robustece-se e torna a acreditar em si. Em alguns casos até, ganha confiança para se aproximar da escola e da escolaridade dos filhos!
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Adenda: Bem sei que advogar os CRVCC como meio de reforço da auto-estima é um bocado paternalista e socializante, mas, entre o dinheiro mal gasto pelo Estado este será, talvez, o menos mal gasto. Portugal precisa de reforçar os seus índices de confiança para, incrementalmente, rasgar o manto da subserviência e da ignorância. E se o Estado, ainda que inavertidamente, ainda que com outros objectivos, ajudar a emancipar as pessoas, tanto melhor...