segunda-feira, maio 15, 2006

Maternidades encerradas e o “direito” de dar à luz na “nossa terra”
Tenho ouvido, contra a decisão do governo de encerrar algumas maternidades as mais variadas reacções. Esta decisão é, aparentemente, suportada em relatórios técnicos que asseguram a falta de condições de segurança para as parturientes e respectivos filhos em partos levados a cabo nas maternidades a encerrar. Mais acresce que a mesma decisão é corroborada por critérios de natureza económica que alertam para a ineficiência da manutenção de tais maternidades.

Contra isto têm-se ouvido reacções que advogam a defesa do “direito” de dar à luz “cá na nossa terra”; entenda-se por “terra”: “cá no nosso concelho”, “cá no nosso distrito”, “cá no nosso país”. Ora eu, pessoalmente, não creio que esse “direito” seja uma coisa muito cristalina, já que agora ninguém nasce, nem desde que os partos deixaram de ser feitos em casa, no Concelho de Cuba, nem no Concelho de Alvito, nem na freguesia de Vila Ruiva, nem em milhares de “terras” nossas por esse país fora.

Pergunto, deveremos, em nome do “direito” – um bocado oitocentista… – “de dar filhos à terra”, continuar a financiar uma rede ineficiente e, pior, ineficaz (no que, neste caso, isso, de grave, comporta!) de maternidades? Sabendo que o imobilismo que isso demonstra não salvaguarda coisa alguma? Nem um “direito” universal de dar à luz na “nossa terra”?!