terça-feira, outubro 24, 2006

A Estética como razão superior para quando a Razão nos falta.
O que é que nos liga a alguém para lá da Razão (e das pequenas razões)? Porque é que as pessoas, verdadeiramente, se juntam? O que é que cimenta a Amizade? Eu sempre acreditei que a resposta a esta questão passava pela Estética.
O Zé Manel, nas condições muito anormais em que se encontra, dedicou parte do seu tempo para, à sua maneira, contribuir para a resposta à questão. A sua jukebox é, como se diz em certos meios, um must! Eu chamar-lhe-ia um denominador comum, uma plataforma de entendimento para Homens de bons princípios.
PS - Reparei que o Francisco, à sua maneira, também concorda com isto
PS 2 - Dois meses e tal após o último post, só algo tão importante assim me traria de volta!

terça-feira, agosto 22, 2006


As crianças que faltavam
O Daniel Oliveira, na caixa de comentários do post Abjecto diz que “Todas as imagens que aqui estão são do Hamas e não do Hezbollah. Suponho que para si é irrelevante. São árabes e pronto.” É verdade, Daniel. É verdade que, para o efeito – o de ilustrar a utilização abjecta de crianças numa guerra que não é delas – é irrelevante que sejam do Hammas ou do Hizballah. Até porque o tema que o post tratava era, sobretudo, o ataque conjuntural a Israel e o apoio dissimulado dos seus camaradas à “causa palestiniana”, precisamente como forma de ataque estrutural a Israel. E nesse aspecto, essas alegadas “manifestações pela paz” olvidam sempre as atrocidades quer do Hammas, quer do Hizballah; o que, convenhamos, faz crer que o entendimento de irrelevância da diferença esteja, igualmente, do vosso lado. É caso para dizer, parafraseando-o, que suponho que para si seja irrelevante; são contra Israel e contra os Estados Unidos e pronto! Quanto a mim e onde se engana é que não é porque “sejam árabes e pronto!”, mas porque são fundamentalistas e terroristas islâmicos e pronto. Mas como não quero que lhe falte nada, aí vão as fotos das crianças do Hizballah…

quarta-feira, agosto 09, 2006

Os incêndios
É de facto um triste fado este de entregar à sina, à sorte, ou normalmente ao azar, o país. Há quantos anos andamos nisto? Eu tenho 32; com 10 anos, quando ainda viaja para o norte com os meus pais, no verão, já nessa altura me lembro de ver a paisagem carbonizada. E os bombeiros, esses continuam voluntários e - logo eu que não sou nada apologista da luta de classes... - pobres! Já repararam que são os "pobres" e os "simples", de uma orbita que não é a dos "pobres" do shopping, que, ano após ano, se vão chamuscar, quando não morrer, nos fogos de verão?
[Ponta Sul] O regresso à pátria
Depois da demissão de Adrianse do comando da equipa dos andrades, fala-se na contratação de Carlos Queirós para treinar a equipa da cidade do Porto. É bom ver portugueses notáveis voltarem ao seu país para trabalharem e porem em prática os seus saberes ao serviço de instituições portuguesas. Fernando Santos no glórias e Queirós nos andrades… Muito bom! Muito bom!!!
Hackers, 2
Mais um ataque: Origem das Espécies off-line.
Votos de rápido restabelecimento.
Ao Carlos, em Luanda...
Se as forças te faltarem, não te esqueças: Tchipepa tchipua tchivala tchilimba!
Abraço.

terça-feira, agosto 08, 2006

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sexta-feira, agosto 04, 2006

(Mounir Herzallah, Médico libanês emigrado na Alemanha)
Hackers
Depois (ou ainda durante...) do caso Abrupto, aconteceu que às 16:45 de 04.08.06, sempre que tentava entrar na Rua da Judiaria a página rapidamente se transformava em Net World Map Project home page. À consideração.
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Não tenho o e-mail do Nuno Guerreiro, pelo que não o posso alertar do ocorrido.
Boaventura, o mal-aventurado!
Ou de como o esquecimento selectivo pode ser hediondo…

Boaventura Sousa Santos (BSS), o inefável “sociólogo” de Coimbra, escreveu uma carta aberta a um dito amigo judeu israelita, publicada na Visão a 27 de Julho. A carta é a seguinte:

Carta a Frank

Escrevo-te esta carta com o coração apertado. Deixo a análise fria para a razão cínica que domina o comentário político ocidental. És um dos intelectuais judeus israelitas – como te costumas classificar para não esquecer que um quinto dos cidadãos de Israel são árabes – mais progressistas que conheço. Aceitei com gosto o convite que me fizeste para participar no Congresso que estás a organizar na Universidade de Telavive. Sensibilizou-me sobretudo o entusiasmo com que acolheste a minha sugestão de realizarmos algumas sessões do Congresso em Ramalah. Escrevo-te hoje para te dizer que, em consciência, não poderei participar no congresso. Defendo, como sabes, que Israel tem direito a existir como país livre e democrático, o mesmo direito que defendo para o povo palestiniano. “Esqueço” com alguma má consciência que a Resolução 181 da ONU, de 1947, decidiu a partilha da Palestina entre um Estado judaico (55% do território) e um Estado palestiniano (44%) e uma zona internacional (os lugares santos: Jerusalém e Belém) para que os europeus expiassem o crime hediondo que tinham cometido contra o povo judaico. “Esqueço” também que, logo em 1948, a parcela do Estado árabe diminuiu quando 700.000 palestinianos foram expulsos das suas terras e casas (levando consigo as chaves que muitos ainda conservam) e continuou a diminuir nas décadas seguintes, não sendo hoje mais de 20% do território.
Ao longo dos anos tenho vindo a acumular dúvidas de que Israel aceite, de facto, a solução dos dois Estados: a proliferação dos colonatos, a construção de infra-estruturas (estradas, redes de água e de electricidade), retalhando o território palestiniano para servir os colonatos, os check points e, finalmente, a construção do Muro de Sharon a partir de 2002 (desenhado para roubar mais território aos palestinianos, os privar do acesso à água e, de facto, os meter num vasto campo de concentração).
As dúvidas estão agora dissipadas depois dos mais recentes ataques na faixa de Gaza e da invasão do Líbano. E agora tudo faz sentido. A invasão e destruição do Líbano em 1982 ocorreu no momento em que Arafat dava sinais de querer iniciar negociações, tal como a de agora ocorre pouco depois do Hamas e da Fatah terem
acordado em propor negociações. Tal como então, foram forjados os pretextos para a guerra. Para além de haver milhares de palestinianos raptados por Israel (incluindo ministros de um governo democraticamente eleito), quantas vezes no passado se negociou a troca de prisioneiros?
Meu Caro Frank, o teu país não quer a paz, quer a guerra porque não quer dois Estados. Quer a destruição do povo palestiniano ou, o que é o mesmo, quer reduzi-lo a grupos dispersos de servos politicamente desarticulados, vagueando como apátridas desenraizados em quadrículos de terreno bem vigiados. Para isso dá-se ao luxo de destruir, pela segunda vez, um país inteiro e cometer impunemente crimes de guerra contra populações civis. Depois do Líbano, seguir-se-á a Síria e o Irão. E depois, fatalmente, virar-se-á o feitiço contra o feiticeiro e será a vez do teu Israel.
Por agora, o teu país é o novo Estado pária, exímio em terrorismo de Estado, apoiado por um imenso lobby comunicacional – que sufocantemente domina os jornais do meu país – com a bênção dos neoconservadores de Washington e a vergonhosa passividade a União Europeia. Sei que partilhas muito do que penso e espero que compreendas que a minha solidariedade para com a tua luta passa pelo boicote ao teu país. Não é uma decisão fácil. Mas crê-me que, ao pisar a terra de Israel, sentiria o sangue das crianças de Gaza e do Líbano (um terço das vítimas) enlamear os meus passos e embargar-me a voz.


BSS arregimenta um conjunto de argumentos usando, paradoxalmente, a expressão “esqueço” para, lembrando, orientar o leitor num propósito ideológico claro. Mas BSS esquece – e fá-lo intencionalmente; a sua esquerda sempre foi perita em recontar a verdade – alguns outros factos fundamentais para compreender a situação no médio oriente. Esquece, BSS, por exemplo, que, um dia após a criação do estado de Israel (a que ele – não sei bem como – diz reconhecer o direito de existir), todos os exércitos árabes vizinhos invadiram o país. Esquece, BSS, que sempre que Israel cede na gestão musculada a que é forçada pelo contexto politico em que está mergulhado, os seus inimigos cerram os dentes, oleiam as armas e atacam, qual cão cobarde, Israel. Ainda agora, com a retirada unilateral da faixa de Gaza, o Hammas venceu as eleições e intensificou os ataques. É, não fosse de muito mau gosto, irónica a referência que BSS faz a propósito das intenções negociais do Hammas. Esquece, BSS, que o Hizballah, criminosos de guerra, são “civis” cobardemente escondidos atrás de civis. Esquece, BSS, que muitas das crianças inocentes que morrem nestes conflitos são crianças arregimentadas por facínoras para uma causa que nem compreendem bem; crianças condenadas a morrer precocemente em nome de interesses sombrios que passam muito mais por supremacias regionais e tráficos das plantações do vale de Beekah, que por causas nobres de defesa do direito ao território. Esquece, BSS, que os árabes israelitas são os árabes mais livres, com melhores condições de vida e com mais direitos políticos e civis de toda a região. Esquece, BSS, tão zeloso do direito internacional e da defesa dos direitos humanos, que a resolução 1559 das Nações Unidas não foi cumprida e que nem Nasrallah, nem Amadinehjad, nem nenhum dos facínoras que, diariamente, exigem a extinção de Israel do mapa (eufemismo para genocídio?) como solução para o conflito se preocupam em a fazer cumprir. Esquece, BSS, tão zeloso na contabilização da morte dos inocentes, que morrem muito mais inocentes às mãos do fundamentalismo islâmico, que às mãos do seu Grande Satã (US e Israel). Esquece, BSS, que se Israel não atacar, sofrerá e verá os seus filhos morrerem, perante o assobiar para lado de todos os intelectuais ocidentais que, como BSS, se esquecem tantas vezes de tanta coisa, sobretudo quando as coisas que esquecem podem melindrar os interesses conspirativos da nouvelle gauche. Esquece, BSS, que atacar Israel, neste contexto, com esta argumentação e, sobretudo, com estes esquecimentos todos é defender o Hizballah e o Hammas. Enfim, são demasiados esquecimentos para admitir não se tratar, evidentemente, neste caso, de uma sórdida opinião!

quinta-feira, agosto 03, 2006

Israel. Lançados do sul do Líbano, contra Israel, os mísseis ARASH e os FAJR-3 chegam a Haifa, mas os C-802 chegam a Tel Avive e os ZELZAL chegam à faixa de Gaza; todo este arsenal é arsenal que o Hezballah detém! A criação da zona tampão é importante, mas não resolve o problema. Por um lado, o cumprimento coercivo ou voluntário (!) da resolução 1559 das Nações Unidas deve ser objectivo, por outro forçar a Síria a quebrar a aliança com o Irão.

quarta-feira, agosto 02, 2006

[Ponta Sul] Bom-dia!










Fernando Santos em Atenas, no AEK*!

* Os gregos não dizem A E K, dizem 'aike', é caso para os lampiões, em vésperas de jogo de qualificação para a CL, digam: 'aike' merda!

terça-feira, agosto 01, 2006

sexta-feira, julho 28, 2006

[Ponta Sul] Amen!

[Ponta Sul] Calma, meus senhores!
Refreiem a euforia. Toda a gente sabe que, na pré-temporada, é normal ganhar folgadamente a equipas pequenas (até ao momento: 6-1 ao Real Massamá e 3-0 ao glórias).

quarta-feira, julho 26, 2006


Abjecto
Dos "humanistas" Pinter, Tariq Ali, Saramago, Chomsky e todos os alinhados das marchas pela paz ainda não ouvi uma palavra de reprovação ao Hizballah. Nenhuma palavra em defesa do direito destas crianças crescerem sem estarem mergulhadas num fanatismo de ódio que culminará com as suas mortes precoces. Só propaganda anti-Israel.
É fácil perceber quão atrativo o Islão parece aos deserdados do totalitarismo comunista! O que custa a crer é que no Ocidente haja tanta gente a olvidar algumas das coisas mais essenciais da nossa civilização em nome de um "politicamente correcto" verdadeiramente abjecto.

quinta-feira, julho 20, 2006

O "Partido de Deus", os seus "cordeiros" e de como uma mentira muitas vezes repetida se pode transformar em "verdade" mediática...
Os damascenos não despregam os olhos da Al-JAzeera e em cada dia que passa há mais e mais bandeiras do Hezbollah nos carros, nas lojas e nas ruas. (...) Vista daqui, ouvindo e vendo a reacção dos árabes, do mais radical ao mais moderado, a estupidez e a insanidade desta ofensiva israelita não tem paralelo recente e é bem mais grave do que se imagina. E terá piores consequencias do que se imagina. Mais um contributo para a radicalizacão do mundo árabe. Claro que estamos a umas poucas dezenas de quilómetros das zonas bombardeadas. Mas se um jovem laico e semi-ocidentalizado de uma cidade cosmopolita e multi-religiosa como Damasco tem neste momento como heróis os lideres do "Partido de Deus", imagine-se o que se passa em mais sombrias paragens. Podemos agradecer tudo isto ao senhor Ehud Olmert.
Daniel Oliveira, intelectual de esquerda, turista, em Damasco há meia dúzia de dias
Michael Young, jornalista, editor do Daily Star no Líbano, a viver lá

quarta-feira, julho 19, 2006

Bud Abbott e Lou Costello

Who's" On First - Comedy Classic - video powered by Metacafe

Abbott: Alright, now whaddya want?
Costello: Now look, I'm the head of the sports department. I gotta know the baseball players' names.Do you know the guys' names?
Abbott: Oh sure.
Costello: So you go ahead and tell me some of their names.
Abbott: Well, I'll introduce you to the boys. You know sometimes nowadays they give ballplayers peculiar names.
Costello: You mean funny names.
Abbott: Nicknames, pet names, like Dizzy Dean -
Costello: His brother Daffy -
Abbott: Daffy Dean -
Costello: And their cousin!
Abbott: Who's that?
Costello: Goofy!
Abbott: Goofy, huh? Now let's see. We have on the bags - we have Who's on first, What's on second, I Don't Know's on third.
Costello: That's what I wanna find out.
Abbott: I say Who's on first, What's on second, I Don't Know's on third -
Costello: You know the fellows' names?
Abbott: Certainly!
Costello: Well then who's on first?
Abbott: Yes!
Costello: I mean the fellow's name!
Abbott: Who!
Costello: The guy on first!
Abbott: Who!
Costello: The first baseman!
Abbott: Who!
Costello: The guy playing first!
Abbott: Who is on first!
Costello: Now whaddya askin' me for?
Abbott: I'm telling you Who is on first.
Costello: Well, I'm asking YOU who's on first!
Abbott: That's the man's name.
Costello: That's who's name?
Abbott: Yes.
Costello: Well go ahead and tell me.
Abbott: Who.
Costello: The guy on first.
Abbott: Who!
Costello: The first baseman.
Abbott: Who is on first!
Costello: Have you got a contract with the first baseman?
Abbott: Absolutely.
Costello: Who signs the contract?
Abbott: Well, naturally!
Costello: When you pay off the first baseman every month, who gets the money?
Abbott: Every dollar. Why not? The man's entitled to it.
Costello: Who is?
Abbott: Yes. Sometimes his wife comes down and collects it.
Costello: Who's wife?
Abbott: Yes.
Costello: All I'm tryin' to find out is what's the guy's name on first base.
Abbott: Oh, no - wait a minute, don't switch 'em around. What is on second base.
Costello: I'm not askin' you who's on second.
Abbott: Who is on first.
Costello: I don't know.
Abbott: He's on third - now we're not talkin' 'bout him.
Costello: Now, how did I get on third base?
Abbott: You mentioned his name!
Costello: If I mentioned the third baseman's name, who did I say is playing third?
Abbott: No - Who's playing first.
Costello: Never mind first - I wanna know what's the guy's name on third.
Abbott: No - What's on second.
Costello: I'm not askin' you who's on second.
Abbott: Who's on first.
Costello: I don't know.
Abbott: He's on third.
Costello: Aaah! Would you please stay on third base and don't go off it?
Abbott: What was it you wanted?
Costello: Now who's playin' third base?
Abbott: Now why do you insist on putting Who on third base?
Costello: Why? Who am I putting over there?
Abbott: Yes. But we don't want him there.
Costello: What's the guy's name on third base?
Abbott: What belongs on second.
Costello: I'm not askin' you who's on second.
Abbott: Who's on first.
Costello: I don't know.
Abbott & Costello: THIRD BASE!
Costello: You got an outfield?
Abbott: Oh yes!
Costello: The left fielder's name?
Abbott: Why.
Costello: I don't know, I just thought I'd ask you.
Abbott: Well, I just thought I'd tell you.
Costello: Alright, then tell me who's playin' left field.
Abbott: Who is playing fir-
Costello: STAY OUTTA THE INFIELD! I wanna know what's the left fielder's name.
Abbott: What's on second.
Costello: I'm not askin' you who's on second.
Abbott: Who's on first.
Costello: I don't know.
Abbott & Costello: THIRD BASE!
Costello: The left fielder's name?
Abbott: Why.
Costello: Because!
Abbott: Oh, he's center field.
Costello: Look, you gotta pitcher on this team?
Abbott: Now wouldn't this be a fine team without a pitcher.
Costello: The pitcher's name.
Abbott: Tomorrow.
Costello: You don't wanna tell me today?
Abbott: I'm tellin' you now.
Costello: Then go ahead.
Abbott: Tomorrow.
Costello: What time?
Abbott: What time what?
Costello: What time tomorrow are you going to tell me who's pitching?
Abbott: Now listen. Who is not pitching. Who is on fir-
Costello: I'll break your arm if you say Who's on first. I wanna know what's the pitcher's name.
Abbott: What's on second.
Costello: I don't know.
Abbott & Costello: THIRD BASE!
Costello: You got a catcher?
Abbott: Oh, absolutely.
Costello: The catcher's name.
Abbott: Today.
Costello: Today. And Tomorrow's pitching.
Abbott: Now you've got it.
Costello: All we've got is a couple of days on the team.
Abbott: Well, I can't help that.
Costello: Well, I'm a catcher too.
Abbott: I know that.
Costello: Now suppose that I'm catching, Tomorrow's pitching on my team and their heavy hitter gets up.
Abbott: Yes.
Costello: Tomorrow throws the ball. The batter bunts the ball. When he bunts the ball, me being a good catcher, I wanna throw the guyout at first base. So I pick up the ball and throw it to who?
Abbott: Now that's the first thing you've said right.
Costello: I don't even know what I'm talkin' about!
Abbott: Well, that's all you have to do.
Costello: Is to throw the ball to first base.
Abbott: Yes.
Costello: Now who's got it?
Abbott: Naturally!
Costello: If I throw the ball to first base, somebody's gotta catch it. Now who caught it?
Abbott: Naturally!
Costello: Who caught it?
Abbott: Naturally.
Costello: Who?
Abbott: Naturally!
Costello: Naturally.
Abbott: Yes.
Costello: So I pick up the ball and I throw it to Naturally.
Abbott: NO, NO, NO! You throw the ball to first base and Who gets it?
Costello: Naturally.
Abbott: That's right. There we go.
Costello: So I pick up the ball and I throw it to Naturally.
Abbott: You don't!
Costello: I throw it to who?
Abbott: Naturally.
Costello: THAT'S WHAT I'M SAYING!
Abbott: You're not saying it that way.
Costello: I said I throw the ball to Naturally.
Abbott: You don't - you throw the ball to Who?
Costello: Naturally!
Abbott: Well, say that!
Costello: THAT'S WHAT I'M SAYING! I throw the ball to who?
Abbott: Naturally.
Costello: Ask me.
Abbott: You throw the ball to Who?
Costello: Naturally.
Abbott: That's it.
Costello: SAME AS YOU!! I throw the ball to first base and who gets it?
Abbott: Naturally!
Costello: Who has it?
Abbott: Naturally!
Costello: HE BETTER HAVE IT! I throw the ball to first base. Whoever it is grabs the ball, so the guy runs to second. Who picks up the ball and throws it to What, What throws it to I Don't Know, I Don't Know throws it back to Tomorrow - triple play.
Abbott: Yes.
Costello: Another guy gets up - it's a long fly ball to Because. Why? I don't know. He's on third and I don't give a darn!
Abbott: What was that?
Costello: I said I don't give a darn!
Abbott: Oh, that's our shortstop.
Quem tramou o ABRUPTO?

terça-feira, julho 18, 2006

Comunicado Final do conclave da Torre sobre o Estado da Nação
Secretamente reunidos em torno dumas sopas de beldroegas com queijo os fundadores da Torre de Menagem analisaram o Estado da Nação Alentejana e perspectivas de futuro.Sobre tórrido ambiente o debate foi aceso por um branco de Borba que em muito contribuiu para se atingir o consenso em torno de um comunicado final que aqui se deixa lavrado:
COMUNICADO FINAL
subscrito por unanimidade, mais consortes e prole presentes

Atendendo a que nos últimos anos o Alentejo deu duas voltas de 360 graus, uma para oeste, outra para leste, tendo sofrido, por consequência, uma profunda agitação sem do sítio sair e que, por outro lado, a correlação de forças e a conjuntura sócioeconómica alteraram-se substancialmente pela falta do hífen, entendemos:

1 - O Alentejo é a região portuguesa com maior potencial de investimento em montes de projecção social e de lazer para 1 a 3 fins de semana/ano, desde que equipados com garrafeira da região, ar condicionado, piscina, internet, consolas de jogos, 1 campo de tiro e 2 de golfe (1 para cada dia), ou seja, com tudo o que assegure que de lá não seja preciso sair;
2 - A construção do IP8 e do aeroporto comercial de Beja são infra-estruturas fulcrais para que cheguemos depressa e saiamos como um relâmpago e, por outro lado, a fossa a céu aberto em que o lago de Alqueva, em tempo recorde, se conseguiu constituir, é de capital importância para o desenvolvimento da agricultura e para o estabelecimento de estâncias termais únicas no mundo;
3 - Não faz sentido manter o blogue Torre de Menagem e muito menos, ainda, acabar com ele;
4 - Como há mais de 30 anos se reclama, a terra deve ser para quem a trabalha e para quem tão bem a tem vindo a trabalhar, implicando, por tal tão insofismável constatação que, um dos membros já se tenha posto a milhas há alguns anos, dois outros estejam de malas aviadas, um quarto já cá só pernoite, enquanto o quinto se recusa a sair de cá por uma questão de felicidade familiar - depois de correr mundo diz não ter encontrado outro lugar no mundo onde se ria tanto.
Posto isto, propõem os signatários à classe partidário / famílio / tentacular da região, mais uma vez por unanimidade, mais consortes e prole, que ousem proporcionar, com regularidade anual, se possível, até, semestral, uma volta completa de 360 graus para manter a agitação dos que por cá permanecerem a mandar na terra e em quem nela trabalha.
Alentejo, Julho de 2006
Os subscritores, mais consortes e prole

sexta-feira, julho 14, 2006

Provérbio do dia
O preço do petróleo é como a verdade... vem sempre ao de cima (US$ 77,84).

O Anarca escreveu um post a dizer bem!!!!!
Nunca mais nada será como dantes!

quinta-feira, julho 13, 2006

[Ponta Sul] Está a começar a época



















[recebido por e-mail]

quarta-feira, julho 12, 2006

Políticas liberais, emagrecimento do Estado e funcionários públicos

Vasco Pulido Valente, aqui há umas semanas atrás, no Diga Lá Excelência, corroborando uma linha de pensamento mais ou menos dominante sobre a matéria, dizia que havia pouco espaço para uma alternativa liberal ao “Estado Bem Estar” (para usar a sua expressão) na Europa e, particularmente, em Portugal, porque por um lado a classe média era uma classe média dependente do Estado (criada artificialmente por este) e, por outro lado, porque estamos a falar de sociedades envelhecidas e consequentemente mais sensíveis aos cortes nos direitos adquiridos, mormente nos relacionados com a Segurança Social.

A argumentação parece-me lógica, mas eu tenho uma dúvida que pode abrir outra perspectiva sobre este assunto: é assim tão claro que toda a classe média, nomeadamente a que trabalha para o Estado, tenha a mesma posição corporativa de defesa do Estado tentacular e omnipresente? Isso para mim não é nada claro… nada!

quinta-feira, julho 06, 2006

I'm the man!
Dr. Gregory House
45% Eccentricity, 70% Confidence, 15% Kindness

Congratulations, you're the man himself, Dr. Gregory House! You're quite strange, and usually do your own thing regardless of what anyone else thinks. This is partially because a person with an ego as large as yours could not care less what anyone else thinks or feels about anything. Unless, of course, they're your patient and they're dying--but only if they're dying of something interesting! You're a definite asshole to most other people, but at least you know how to be one in style, with an awesome wit, comfortable sneakers, and a never ending variety of facial expressions.




My test tracked 3 variables How you compared to other people your age and gender:
free online dating
You scored higher than 27% on Eccentricity
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You scored higher than 83% on Confidence
free online dating
You scored higher than 13% on Kindness
Link: freedomdegrees on The House, MD Personality Test written by OkCupid Free Online Dating, home of the 32-Type Dating Test

segunda-feira, julho 03, 2006

Ponta Sul: Centenário (1906-2006)
Tendo estado fora e off-line, só hoje registo o centenário do grande Sporting.












ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO e GLÓRIA, EIS O SPORTING!
Ponta Sul: Efeito Pigmalião

quinta-feira, junho 29, 2006

HOUSE, MD


















[via A Fonte]
O PAX JULIA, Beja e o Alentejo em geral
O Carlos elenca um conjunto de perguntas prévias que considera útil fazer a fim de definir um rumo para o Pax Julia. Eu não sei nada do que se passa no Pax Julia. Mas sei que o Carlos comete um erro groseiro, imperdoável a um gestor. O Carlos esquece-se do "contexto". E como se esquece do "contexto", esquece-se de fazer as perguntas vitais para compreender quase tudo o que acontece e não acontece em Beja, que tenha a ver com dinheiros públicos (e, infelizmente, não só). A título pro bono completo então a lista de perguntas que o Carlos iniciou, com as ditas questões vitais, que, grosso modo, se podiam fazer a qualquer organismo público da região:
- Que interesses partidários e privados pode satisfazer?
- Quem é que pode mandar?
- De que partido é?
- De que facção do partido é?
- A que família pertence?
- Que favores deve a quem?
- Que negócios privados tem com quem?
- Que pontos fracos tem?
- Quanto dinheiro temos?
- Quantos favores podemos pagar? Quais os mais urgentes?
É claro que, depois de respondidas estas questões, já não há dinheiro, competência ou vontade para se chegar as outras...
Disparates
Ai rapaz, rapaz, rapaz
Tu só dizes disparates, disparates, disparates
E tanta asneira, tanta asneira, tanta asneira
Que p’ra tirar tanta asneira,
não chegam cem alicates.

quarta-feira, junho 28, 2006

A Costa Alentejana
É comum – e não é sem razão – ouvir-se falar na excepcionalidade da costa alentejana, nas suas praias, no seu estado quasi selvagem, na necessidade de a proteger das tentações urbanistas, na tendência “natural” de autarcas, construtores, especuladores e outros homens do poder “algarvizarem” a dita costa, etc. etc. etc.
Eu cheguei há poucos dias de 2 semanas de férias na Carrapateira. A Carrapateira é um lugar da freguesia da Bordeira do concelho de Aljezur. É verdade que administrativamente já não faz parte do Alentejo, mas pertencendo ao Parque Natural da Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano pertence a uma “unidade” territorial que, não fora a ribeira de Odeceixe e o enorme outdoor a anunciar ao viajante que tinha chegado ao Algarve, é praticamente inquestionável.
Ora, durante esses dias que estive por lá Pedro Rolo Duarte escreveu uma crónica a dizer adeus, ao cabo de 20 anos, a Odemira. Dizia ele que aquilo estava a ficar estragado. Li essa crónica por acaso, porque na Carrapateira não se vendem jornais. Só em Vila do Bispo. Em Vila do Bispo, de resto, não há bombas de gasolina. Só em Sagres. Na Carrapateira, em Vila do Bispo e em Sagres, por seu turno, não há nenhum supermercado. Só em Budens; quase em Lagos.
Onde é que eu quero chegar? Entendamo-nos. Abomino grandes aglomerados de gente. Nesse aspecto sou como o outro: “Sempre, sempre ao lado do povo. O povo de um lado e eu do outro!” E é por isso que vou para a Carrapateira, e é por isso que, quando em Mil Fontes, prefiro ir para a Furnas. Mas que diabo! Tenho eu o direito de, em nome do prazer do isolamento estival, congelar as hipóteses de desenvolvimento das terras? É evidente que o “ordenamento” de que falava Rolo Duarte, e o desordenamento também, tem quase sempre sido uma trampa neste país. Mas num raio de 50 km a partir da Carrapateira eu só tenho boas praias (as melhores do país, na minha opinião). Não há mais nada. Nada! Não há jornais, não há supermercados, não há cybercafés. Nada. Sossego, pouca gente, praias excelentes. Caracóis e outros petiscos também há; mas muito poucos. Salada de polvo ou pata roxa tive que ir comer a Porto Covo, no dia do regresso.
Deve ser, para muita gente, muito pitoresco ser atendido por uma senhora com buço, num tasco mal lavado, num território “virgem”. É muito libertador poder tomar banho nu, numa praia deserta. E é muito “urbano” defender a preservação destes territórios tal como estão. Mas os críticos do progresso nunca perguntam: e se eu vivesse aqui, teria todas as condições para o fazer?

terça-feira, junho 06, 2006

[Praia do Amado, Carrapateira]
Está quase...
Este blog vai a banhos...
Até dia 26 é só grelhados, vinho branco fresco para acompanhar o peixe, cerveja gelada para acompanhar a carne, t-shirt, calções, pele salgada dos banhos de mar, alguns charutos ao sol, siestas, e muita, muita diversão com a família. Tudo o resto vai ter de esperar para depois do regresso. Até já!

segunda-feira, junho 05, 2006

[Blogosfera revisitada] A Coluna Infame e o tempo em que se escreviam posts às 2:44 AM
Dois dias antes de terminar um dos mais determinantes blogs da curta história da blogosfera portuguesa, a Coluna Infame, Pedro Mexia escrevia assim:
PERGUNTA ERRADA: Perguntam-me regularmente: «mas não abdicaste da tua vida para manter o blog?». Mas quem é que vos disse que eu tenho uma vida? PM

[Ponta sul] Portugal, como sempre!
Eu sei. Eu sei que os meus amigos andrades – e o Francisco é o seu guru blogosférico – discordam. Mas no Euro sub-21 que terminou ontem, Portugal foi igual a si mesmo. Perdeu quando não devia (podia) perder, e no último jogo em que ainda lhe sobrava uma ténue hipótese lá ganhou. Mas é claro que, nestes casos, nunca basta a Portugal ganhar no último jogo. Até porque quando basta ganhar, Portugal empata… por culpa do árbitro, do roupeiro, do tempo, de Deus… Quando, de facto, ganha o último jogo precisa de o fazer por 15 a 0! E os “outros”, no outro jogo, precisam perder, pelo menos, por 10 a 0! Mesmo quando a equipa conta com os génios injustiçados do sistema (leia-se Ricardo Quaresma) falta-lhe sempre “um bocadinho assim”! [Um bocadinho de qualidade, um bocadinho de atitude, um bocadinho de entrega, um bocadinho de jeito, um bocadinho de ousadia…]

Com Scolari – é sobre isto que os andrades discordam – as coisas, em Portugal, são diferentes. Com Scolari fomos apurados para o Mundial (apenas pela 4ª vez na história dos Mundiais de futebol) sem espinhas. À conta do nosso mérito. Com Scolari obtivemos o melhor resultado de sempre, em selecções A, nas competições internacionais de futebol: vice-campeões da Europa de futebol. Com Scolari! Só com Scolari! Já sei, estávamos a jogar em casa. Mas neste Euro sub-21 também… De resto, esse argumento diz-nos o quê? Que a Alemanha vai ser campeã do mundo?

sexta-feira, junho 02, 2006

Há cães de sorte, vidas de cão, dias de cão e prioridades de merda!
Notas soltas sobre a Escola
Há 9 anos, era eu pouco mais que recém-licenciado, concorri para dar aulas no distrito de Beja – nos então designados “mini-concursos” – e fiquei colocado! Na altura tinha apenas uma licenciatura em Sociologia, obtida na Universidade Nova de Lisboa; tão mal forjada para as minhas necessidades de emprego como para as necessidades do mercado.

O facto de ter uma licenciatura em Sociologia tornava-me, na altura e creio que ainda hoje, legalmente habilitado para dar aulas de Português/História ao 2º ciclo do ensino básico; apesar da mesma legislação não me considerar capaz de leccionar… Sociologia!

Quando me apresentei na escola deram-me o horário com a anotação 318/91. Perguntei o que é que aquilo queria dizer e responderam-me que era o diploma legal que regulamentava o ensino especial e, no caso, o ensino que eu deveria leccionar às minhas turmas. Preocupei-me, li o diploma, preocupei-me ainda mais, falei com o conselho directivo que me tranquilizou e me encaminhou para o gabinete de psicologia da escola. No gabinete de psicologia tranquilizaram-me – outra vez! – e disseram-me que não me preocupasse, que não tivesse muitas expectativas em relação aqueles miúdos e que me limitasse a ir com eles ao centro de recursos, ver uns filmes, conversar um bocado… enfim, passar o ano.

Não sei se nesta altura do relato, para avaliar convenientemente a situação, interessa lembrar que eu não tinha experiência lectiva, não tinha qualificações para lidar com crianças com necessidades especiais, nunca tinha dado uma aula e que a única coisa que me habilitava a dar aulas de Português/História (ou passar o tempo com os alunos, como explicitamente o gabinete de psicologia da escola me sugeriu) era uma licenciatura em Sociologia. Por esta altura poder-se-á perguntar se o cenário era este, porque raio resolvi eu aceitar o desígnio. A explicação é simples. Estava desempregado, queria trabalhar (o que nem sempre são condições cumulativas), disponibilidade para sair de casa e ir arranjar emprego a 200 kms de casa (de Cascais a Beja), tinha um “perfil” de habilitações que o “mercado” reconhecia e validava, uma imensa vontade de aprender e, já nessa altura, uma grande apetência para os processos de ensino/aprendizagem.

Conheci finalmente os alunos. Eram 14. Distribuídos por 4 (!) turmas o que dá uma média de 3,5 alunos/turma. Uma turma tinha 6, a outra tinha 4 e ainda havia 2 turmas com 2 alunos cada. Nenhum deles tinhas necessidades especiais – sobretudo deficiências ou incapacidades como o discurso correcto lhes chama agora – como o diploma anunciava. Tinham de facto necessidades especiais, mas de outra ordem. Resultavam essas necessidades especiais de serem crianças provenientes de montes isolados e de lugarejos rurais, onde a sociabilidade era pouca, pobre, rude e, não poucas vezes, violenta.

Fosse lá como fosse, a escola tinha resolvido contratar um professor de português e um de matemática e outros de outras disciplinas para dar “acompanhamento” mais personalizado (um acompanhamento sobre o qual nem sequer tinham pensado muito…) a estas crianças.

Nem vou falar sobre o efeito que esta pedagogia, alegadamente inclusiva, e o seu efeito estigmatizante, consubstanciado no facto de se criarem turmas especiais para os “bichos do mato” ou, como lhes chamavam na altura, os “319”, tinha sobre as crianças.

Vou falar de prioridades. E de custos. Que é coisa que a esquerda normalmente acha que faz parte da agenda suja da política.

Ora bem, eu tinha na altura um horário completo (deveriam rondar, não me recordo com exactidão, as 21 horas lectivas) tal como todos os meus colegas que tinham, também eles, aproximadamente 4 turmas “normais”. Uma turma “normal” contava com uns 20 e tal alunos. Façamos a coisa pelos 22. Ora cada colega tinha (4 turmas x 22 alunos) 88 alunos. Eu tinha 14. Recebíamos todos aproximadamente o mesmo. Eu deveria receber, líquidos, qualquer coisa como 180 contos. Ora, isto fazia com que os meus alunos, para desenvolverem competências em Português/História, custassem, cada um deles, (180 cts/14 alunos) quase 13 contos por mês. Ao passo que os outros alunos custavam apenas (180 cts/88 alunos) 2 contos; para o mesmo objectivo.

A pergunta que eu faço, e faço-a a pensar nesta minha experiência particular, como a faço a pensar nos acontecimentos em discussão sobre a violência nas escolas urbanas e sub-urbanas é a seguinte: e os melhores? Quem se preocupa com os melhores? Aqueles que, em turmas “normais”, aguardam pelo curso normal, na melhor da hipóteses, da mediania geral? Pior: quem se preocupa com aqueles que, não sendo ainda pré ou proto ou recém delinquentes, pelo convívio e sobretudo pela partilha do espaço escolar com todos aqueles que já são qualquercoisa-delinquentes acabam por não se desenvolverem como mereciam numa escola que estimulasse a excelência e que não andasse sempre a olhar para os mais violentos, e para os mais carentes de ajuda e para os mais atrasados.

É evidente que não julgo que se devam deixar cair, ainda mais, os mais fracos. O que não suporto é ver a Escola consumir-se até à exaustão com toda a problemática dos coitadinhos, nomeadamente por via dos efeitos que o meio exerce sobre eles, como se o facto de se nascer e viver na Cova da Moura tornasse o individuo, inexoravelmente, num marginal inimputável ou merecedor de maior atenuante que outro marginal qualquer nascido e criado na Quinta da Gandarinha.

O que não suporto é ver a Escola transformar-se numa arena em que aos alunos e aos pais dos alunos é permitido insultar, cuspir, agredir e incendiar os cabelos dos professores, com total impunidade. E um Estado que ao invés de proteger a Escola e de a centrar no essencial a desloca para tarefas que deveriam estar a ser, no limite, caso os pais sejam irremediavelmente casos perdidos, desempenhadas pelo Instituto de Reinserção Social, pela Polícia, pelos Tribunais e pela Segurança Social.

quinta-feira, junho 01, 2006

quarta-feira, maio 31, 2006

Os CRVCC
Assisti, há poucos anos, em Salónica, na Grécia, a uma discussão interessantíssima a propósito de aprendizagens não-formais entre um dos pais da visão continental dos processos de certificação dessas mesmas aprendizagens, o Jens BJORNAVOLD, e um representante da corrente anglo-saxónica, o Michael ERAUT. É claro que concordei com o Michael ERAUT que advogava que muito mais importante que a formalização (certificação) das competências era o reconhecimento que, caso a caso, o mercado delas fizesse. E é nisto que o Anarca está a pensar quando diz o que diz. Mas o Anarca, que vive nos corredores da Universidade e que, a espaços, passeia pelos corredores outrora alcatifados dos Conselhos de Administração, esquece-se que parte do país real – o país que eu sei que o preocupa e que ele se esforça por conhecer, mas que duvido que conheça – é ligeiramente mais trôpego, inseguro e assustado que os participantes nas Leichester Conferences. A grande virtude dos CRVCC não é tanto o jeito martelado com que resolvem os problemas das estatísticas da escolaridade portuguesa, é o boost de auto-estima que dá a gente menosprezada, mal tratada, com fracos índices de confiança e que, através daquele processo, robustece-se e torna a acreditar em si. Em alguns casos até, ganha confiança para se aproximar da escola e da escolaridade dos filhos!
_____________________
Adenda: Bem sei que advogar os CRVCC como meio de reforço da auto-estima é um bocado paternalista e socializante, mas, entre o dinheiro mal gasto pelo Estado este será, talvez, o menos mal gasto. Portugal precisa de reforçar os seus índices de confiança para, incrementalmente, rasgar o manto da subserviência e da ignorância. E se o Estado, ainda que inavertidamente, ainda que com outros objectivos, ajudar a emancipar as pessoas, tanto melhor...
O Estado da Arte [Profecia]
Sempre admirei muito Sá Carneiro e mais tarde aprendi a respeitar Adelino Amaro da Costa. (citação mais ou menos fiel de Paulo Portas) Não tanto esta afirmação, mas o que lhe subjaz, ainda vai ser um hot issue na política portuguesa. Nem que seja daqui a uns anitos...

terça-feira, maio 30, 2006

Not in the mood...
...for blogging!

quarta-feira, maio 24, 2006

[Retratos dos nossos] Angola, Tchamutete, 1958
À mingua de água, a trabalhar no campo, agitavamos com a mão a água do canal de rega que vinha de longe. A mesma água por onde tinham passado, em manada, os animais horas antes. Agitavamos e, como que limpa por esse gesto, bebiamo-la saciando a sede.

terça-feira, maio 23, 2006

[M.C. Escher's "Bond of Union" C 2005 The M.C. Escher Company-Holland. All rights reserved. www.mcescher.com]

[Notas sociológicas] Identidade
Quem és tu?
Quem pensas que és, quem pensam que és, quem querem que penses que és, quem conseguem pensar que és, quem consegues pensar que és?
Uns senhores (Albert e Whetten, 1985), a propósito de Identidade Organizacional, resumiram a coisa a isto: (i) o que é que os membros da organização consideram central na organização?; (ii) o que é que distingue a organização das outras?; e (iii) o que é que é percebido pelos membros da organização como sendo durável e que confere a ligação entre o passado o presente e, presumivelmente, o futuro da organização?
Lendo isto (sobretudo o ponto i e o ponto iii) somos levados a crer que o conceito de identidade tem muito de auto reflexivo. Por princípio parece-me bem. Mas que efeitos tem o contexto sobre o indíviduo? É evidente que o indíviduo pode sempre alterar o contexto; pelo menos, para sermos conservadores, durante o tempo em que ele nele participar. Mas... e o contexto, pode alterar inexoravelmente o indíviduo? E ele? Será o que o contexto dele fizer ou será o que as suas predisposições o leva(ra)m a crer que seria?
___________________________________

Albert, S. e Whetten, D.A. (1985). Organizational identity. In L.L. Cummings e B.M. Staw (Eds) Research in organizational behavior (Vol. 7, pp-263-295) Greenwich, CT: JAI

quinta-feira, maio 18, 2006

DECEPÇÃO
Tinha-se um cão cansado de tal maneira a correr atrás da própria cauda, que acabara por abandonar a perseguição, enrolando-se todo para descansar. Uma vez nesta posição apercebeu-se de que tinha a cauda mesmo a jeito e ferrou-lhe os dentes com tal avidez que a largou logo a seguir, cheio de dores.- Afinal de contas – concluiu – há mais prazer na perseguição do que na posse.
[Ambroise Bierce, Fábulas fantásticas]
...está a chegar a hora de tornar a correr atrás da cauda.
Afonso
[em homenagem ao meu querido e encantador filhote]
Todos os dias, depois da pequena Carolina adormecer, e já satisfeito com a sua dose diária de desenhos animados, o doce Afonso irrompe pela cozinha com um sorriso traquina e ar inquisidor. Todos os dias, nesse momento, repito a frase: "nobody expects the spanish inquisition!"
Especialmente a pensar nele:
# THE SPANISH INQUISITION
Peasant: "I didn't expect a kind of Spanish Inquisition."
Cardinal Ximinez: "Nobody expects the Spanish Inquisition! Our chief weapon is surprise...surprise and fear...fear and surprise.... Our two weapons are fear and surprise...and ruthless efficiency.... Our *three* weapons are fear, surprise, and ruthless efficiency...and an almost fanatical devotion to the Pope.... Our *four*...no... *Amongst* our weapons.... Amongst our weaponry...are such elements as fear, surprise.... I'll come in again."

terça-feira, maio 16, 2006


Sex(mail)
She said: I used to like hot(mail) messages, but since he show me the G(mail) spot… the things have never been the same.

segunda-feira, maio 15, 2006

Não resisti à tentação, afinal José Cid é José Cid...
... e eu, se fosse uma canção do José Cid, seria:
Grande Grande Amor. Você preenche todos os requisitos para ser o chamado “cidadão do mundo”. Adora viajar e imagina o dia em que pega na sua mala de cartão e parte à conquista do mundo. É alguém vivido, sempre a olhar para a frente e que gosta do imprevisto.
Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye,
Amore , amour, meine liebe, love of my life.
Se o nosso amor findar,
Só me ouvirás cantar,
Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye,
Amore , amour, meine liebe, love of my life
Notícias Realmente Importantes
Maternidades encerradas e o “direito” de dar à luz na “nossa terra”
Tenho ouvido, contra a decisão do governo de encerrar algumas maternidades as mais variadas reacções. Esta decisão é, aparentemente, suportada em relatórios técnicos que asseguram a falta de condições de segurança para as parturientes e respectivos filhos em partos levados a cabo nas maternidades a encerrar. Mais acresce que a mesma decisão é corroborada por critérios de natureza económica que alertam para a ineficiência da manutenção de tais maternidades.

Contra isto têm-se ouvido reacções que advogam a defesa do “direito” de dar à luz “cá na nossa terra”; entenda-se por “terra”: “cá no nosso concelho”, “cá no nosso distrito”, “cá no nosso país”. Ora eu, pessoalmente, não creio que esse “direito” seja uma coisa muito cristalina, já que agora ninguém nasce, nem desde que os partos deixaram de ser feitos em casa, no Concelho de Cuba, nem no Concelho de Alvito, nem na freguesia de Vila Ruiva, nem em milhares de “terras” nossas por esse país fora.

Pergunto, deveremos, em nome do “direito” – um bocado oitocentista… – “de dar filhos à terra”, continuar a financiar uma rede ineficiente e, pior, ineficaz (no que, neste caso, isso, de grave, comporta!) de maternidades? Sabendo que o imobilismo que isso demonstra não salvaguarda coisa alguma? Nem um “direito” universal de dar à luz na “nossa terra”?!
[Hieronymus Bosch]


O Perdão, supremo castigo!

O Perdão não é um acto humano, e, portanto, também não é um acto de humanidade. Ao contrário. Quem perdoa amesquinha e faz sofrer aquele a quem perdoa da pior maneira possível. Perdoando, o que perdoa sobe aos céus e, do alto da sua santidade martirizada, amnistia o perdoado. Fazendo-o, não só não lhe retira a culpa, como lança o ofensor na solidão dessa mesma culpa. É como quem diz: olha, estou fora, o que me fizeste já passou e, pela minha parte, estás perdoado; se ainda sentes alguma culpa (e é certo que sente), estás sozinho nesse deserto de sofrimento.

O Perdão é, indiscutivelmente, um acto Divino. Não um acto de um Deus infinita e exclusivamente bom. Mas um acto de um Deus omnipotente, que cede também à tentação, que castiga e faz sofrer. Um Deus do Antigo Testamento. Um Deus como o retratado no livro de Job. Um Deus que falha no inverosímil desígnio anunciado pelo Novo Testamento: o da omnipresente, infinita e exclusiva bondade.

Num ponto, contudo, a Igreja tem razão. Quando, por via da confissão e da contrição, e em nome de Deus, absolve dos pecados os penitentes, fá-lo verdadeiramente; já que ressalva que a sua absolvição só é verdadeira na medida em que o arrependimento seja verdadeiro.

O Perdão só resulta e é efectivo, para aqueles que se sabem pecadores e que sofrem com essa falha. E é nesses que o castigo fere mais fundo.

(In)decisão
Quanto tempo é possível protelar um momento incontornável?

sexta-feira, maio 12, 2006


[Ponta sul] Gosto destas camisolas...
Aquelas riscas verdes...
VITÓRIA!!!
Separados à nascença (Carlos Barbosa e Fernando Pessoa)
FRIDAY
I don't care if monday's blue
Tuesday's grey and wednesday too
Thursday i don't care about you
It's friday i'm in love
Monday you can fall apart
Tuesday wednesday break my heart
Thursday doesn't even start
It's friday i'm in love
Saturday wait
And sunday always comes too late
But friday never hesitate...
I don't care if monday's black
Tuesday wednesday heart attack
Thursday never looking back
It's friday i'm in love
Monday you can hold your head
Tuesday wednesday stay in bed
Or thursday watch the walls instead
It's friday i'm in love
Saturday wait
And sunday always comes too late
But friday never hesitate...
Dressed up to the eyes
It's a wonderful surprise
To see your shoes and your spirits rise
Throwing out your frown
And just smiling at the sound
And as sleek as a shriek
Spinning round and round
Always take a big bite
It's such a gorgeous sight
To see you eat in the middle of the night
You can never get enough
Enough of this stuff
It's fridayI'm in love

[Cure, Friday]
[EpiCurtas revisitado] Manuel Maria Carrilho
Em Outubro de 2003, motivado, por certo, por mais um disparate da Srª Gomes escrevi no EpiCurtas o post que abaixo se reproduz. Vá-se lá saber porquê, com mais esta irritação pública do Manuel Maria Carrilho, lembrei-me disto outra vez. E olha que apropriado, hem... o homem até vive ali na zona da Praça de Londres.

Contributos para compreender o PS da Srª Gomes e o “Socialismo” da Avª de Roma
1. Expressar amiudadamente indignação por práticas anti-democráticas dos “outros”;
2. Mostrar uma elevação moral muito acima de todos os “outros”, suportada por um passado de luta anti-fascista;
3. Ser mais culto que os “outros”;
4. Ser amigo do Eduardo Prado Coelho;
5. Preferir a Barata à FNAC para comprar livros;
6. Ser incoerente nos valores e inconsequente na política;
7. Ser de esquerda, mas detestar o povo que fique pr’àlem da Mexicana;
8. Falar francês;
9. Ser arrogantemente superior aos “outros”;
10. Anunciar coragem em enfáticos discursos ao som de Vangelis.

Freitas do Amaral, um homem da Moral
INTRUSÃO
A Moral meteu o dedo grande do pé na política internacional, e ficou logo sem ele.
- Mil agradecimentos – declarou a Diplomacia, fazendo graciosa vénia. – Vamos conservar este dedo como recordação de uma grande honra.
E, a partir daí, a Moral passou a manquejar um tanto.

[Bierce, Ambroise, Fábulas Fantásticas, edição portuguesa: Editorial Estampa, Livro B]

quinta-feira, maio 11, 2006


CDS
[André Azevedo Alves pergunta se o CDS ainda faz sentido, Paulo Pinto Mascarenhas reforça a pergunta e Adolfo Mesquita Nunes conta uma muito interessante estória sobre os tempos da fundação do partido]

Eu passei, há mais de 10 anos, 2 anos no CDS. Mais propriamente na então Juventude Centrista. Era militante em Cascais. Não guardo uma boa memória da experiência. A minha inexperiência mergulhada no caldo conspiratório que se vivia permanentemente no partido não teve, obviamente, bom resultado. Saí. Conservo dessa altura a sensação de que o CDS é um partido minúsculo, onde toda a gente se conhece, e onde passados alguns anos de convívio partidário todos já foram amigos e aliados políticos de todos e adversários dos mesmos. Para um partido tão pequeno e com um potencial tão grande, convenhamos que não é boa coisa. Digo potencial, mas não julgo que este resulte de características intrínsecas do partido, mas antes de uma alteração paulatina que os ambientes urbanos da sociedade portuguesa têm vindo a sofrer. Mas parece que o partido não está disposto a compreender isto de uma vez por todas.

Limitam-se, congresso após congresso, conselho nacional após conselho nacional, tragédia após tragédia, a repetir ad nauseum a fantástica rábula dos Monty Phyton. Nós gostamos dos Monty Phyton, mas achamos que nesta versão os protagonistas são um bocado canastrões. Quer dizer, é como dizer que gostamos do Shakespeare, mas a companhia de teatro amador de Alguidar-de-Baixo não é a nossa companhia de eleição. Ainda para mais se se der à liberdade de adaptar o guião à sua pequena realidade.

BRIAN: Are you the Judean People's Front?
REG: Fuck off!
BRIAN: What?
REG: Judean People's Front. We're the People's Front of Judea! Judean People's Front. Cawk.
FRANCIS: Wankers.
BRIAN: Can I... join your group?
REG: No. Piss off.
BRIAN: I didn't want to sell this stuff. It's only a job. I hate the Romans as much as anybody.
PEOPLE'S FRONT OF JUDEA: Shhhh. Shhhh. Shhh. Shh. Shhhh.
REG: Stumm.
JUDITH: Are you sure?
BRIAN: Oh, dead sure. I hate the Romans already.
REG: Listen. If you really wanted to join the P.F.J., you'd have to really hate the Romans.
BRIAN: I do!
REG: Oh, yeah? How much?
BRIAN: A lot!
REG: Right. You're in. Listen. The only people we hate more than the Romans are the fucking Judean People's Front.
P.F.J.: Yeah...
JUDITH: Splitters.
P.F.J.: Splitters...
FRANCIS: And the Judean Popular People's Front.
P.F.J.: Yeah. Oh, yeah. Splitters. Splitters...
LORETTA: And the People's Front of Judea.
P.F.J.: Yeah. Splitters. Splitters...
REG: What?
LORETTA: The People's Front of Judea. Splitters.
REG: We're the People's Front of Judea!
LORETTA: Oh. I thought we were the Popular Front.
REG: People's Front! C-huh.
FRANCIS: Whatever happened to the Popular Front, Reg?
REG: He's over there.
P.F.J.: Splitter!

[Life of Brian, Monty Phyton]
Mito urbano: a esquerda monopolista da Justiça social
[destinatário preferencial: Bibliotecário Anarquista]
Rights of labour were as sacred as the rights of property.
Benjamin Disraeli (1804-1881), Primeiro-ministro Conservador britânico.
FREAKONOMICS, ou de como (re)encontrar o prazer nas ciências sociais (#2)
Guia para professores, aqui.

[Mundo ao contrário, #3] ONU e os Direitos Humanos
Com esta notícia, que dá conta da entrada de Cuba, da Arábia Saudita e da China no Conselho das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o mundo, definitivamente, precisa de reforma. É uma triste notícia que merece recordar, a título de exposição do acontecimento ao ridículo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos: aqui.

quarta-feira, maio 10, 2006

e-femérides sempre em atraso nos meus blogs...
O Mar Salgado fez 3 anos. Quando comecei o EpiCurtas, o Mar Salgado fazia parte do grupo de blogs que lia. Continua a fazer (agora menos, porque agora também leio menos blogs). Seja como for, já lá vai tanto tempo!!! Pela estoicidade e pela qualidade (excepção feita a algumas manifestações futebolísticas de mau gosto! - sabem que por cá o futebol é verde...) um valente abraço de Parabéns!
O aperto de mão de Freitas a Mahmoud al-Zahar
Politicamente, parece-me um acto absolutamente inaceitável, nos dias que correm, por parte de um representante de um estado da União Europeia, ainda para mais chefe da diplomacia de um dos estados dessa mesma união. É um erro, um erro grave e que só pode ter uma consequência: a imediata destituição do cargo. Do ponto de vista pessoal parece-me haver ainda duas leituras possíveis. Uma atenuante e outra agravante. A atenuante é a que se permite presumir que, apesar das questões de Estado, pode haver uma relação de amizade entre os dois homens e não se nega um aperto de mão a um amigo; mas nesse caso, obrigam-se simultaneamente a reservar sobre o acto a parcimónia e a discrição que não comprometa nenhum deles. Coisa que, manifestamente, não aconteceu. A agravante é que tudo isto foi resultado de uma falta de discernimento - quiça motivada pelo cansaço - momentânea. Mas os lapsos assumem-se igualmente e não resta outra alternativa, a alguém que amiudadamente nos quer dar lições de comportamento elevado, que não seja pedir a demisão.
Seja como for, é certo que nos próximos dias vamos enriquecer o nosso léxico.

FREAKONOMICS, ou de como (re)encontrar o prazer nas ciências sociais
Guia para estudantes, aqui.
[Black square, Kasimir Malevich]
Estados de alma
A negro.
[Diferenças entre o EpiCurtas e o eMOLESKINE] Minuto de ódio
No EpiCurtas, o meu "Minuto de ódio", que Orwell, no 1984, descrevia como o momento em que os cidadãos invectivavam Goldstein, o Grande Inimigo do Estado, seria, provavelmente , dedicado a alguns dos que me rodeiam profissionalmente; particularmente os que, neste contexto, exercem algum ascendente hierarquico sobre mim. Fa-lo-ia, no EpiCurtas, com estrondo. Aqui não. Esta é mais uma prova da mudança. Aqui o meu "Minuto de ódio" é-me inteiramente dedicado. É a mim que invectivo. Pela inenarrável credulidade de que as coisas estruturalmente más podem mudar. Logo eu, que sou muito mais Hobbesiano que Rousseauniano. Logo eu, que sou de Direita.

[Gigantes e Anões] The incredible shrinking man
Filme de 1957 de Jack Arnold, baseado no romance homónimo de Richard Matheson. É a história de um homem que depois de exposto a uma nuvem radioactiva começa paulatinamente a encolher. A encolher. A encolher. A encolher. A encolher. Uma excelente metáfora do efeito anti-Pigmalião.

segunda-feira, maio 08, 2006

O estado de espírito a que me querem levar...

São voltas e voltas sem parar
Em sonhos nocturnos
Em sonhos de encantar
Muitos enredos histórias reais
Que envolvem mas acordam sem avisar.
[entre aspas]
[Epicurtas revisitado] Todos os anos, por esta altura, é a mesma coisa


O fisco e a sexualidade. Ao tratar da papelada para o IRS e notando na terminologia usada para designar o contribuinte (sujeito passivo) ficamos com uma ideia clara sobre quem é que faz o quê a quem!

Filosofando
A ociosidade é a mãe de todos os vícios e a segurança a mãe de todos os medos.

Mundo ao contrário, #2
Porque é que parece que Tony Blair prefere David Cameron a Gordon Brown?

O mundo ao contrário, #1
Porque é que eu que não votei PS dou comigo a dizer aos eleitores PS que a governação Sócrates não está a ser tão má assim?

A lata
Marques Mendes, este fim de semana, terá criticado o governo por não fazer emagrecer o Estado. É preciso ter lata!

Mau tempo no partido
Aparentemente José Ribeiro e Castro está preparado para o mau tempo; pode vir chuva, vento ou granizo. E para a política, será que está preparado?
[adenda: ser eleito lider do partido 3 vezes no espaço de um ano mostra que não parece estar...]

[Ponta sul] Paços de Ferreira, Capital do móvel.
Pague 1 e leve 3

sexta-feira, maio 05, 2006


Desesperança
Angelina Jolie, aliás Mrs. Smith (em Mr. e Mrs. Smith) diz, em certo momento, qualquer coisa como: uma história com um final feliz é, simplesmente, uma história que ainda não acabou. Olhando para a Angelina Jolie há outras desesperanças que me ocorrem...

[Alentejo] A Ovibeja.
É uma feira pequena. Alicerçada, estrito senso, em torno de um sector de actividade moribundo. Como feira de actividades económicas, lato senso, não apresenta uma ideia inovadora ou um negócio francamente dinâmico que a região seja capaz de “exportar”. A animação musical não é entusiasmante. Porquê, então, este sucesso? Porque ao contrário daquilo que se possa pensar, e apesar de conservar uma dinâmica de debate em torno de hot issues para a região, a Ovibeja não é uma feira. É uma festa. A festa do equinócio da Primavera. A celebração do fim das chuvas e o início do convívio em espaço público. É também por isso que as ovinoites são o sucesso que são. É bom? É mau? É pouco? Não me cabe a mim responder. Sinto-me, tristemente, cada vez mais um outsider nesta região.
[Retratos dos nossos] Angola, Tchamutete, 1954
Descarregaram-nos cá. Os nossos velhos traziam um nó no estômago, um aperto no coração e uma ilusão na cabeça. Estavam longe de adivinhar que 20 anos mais tarde, o calvário libertador em que até esse momento a sua vida se transformará terminará de forma devastadora. Sem ressurreição. Terão vivido uma felicidade conquistada a pulso no degredo do Império e morrerão infelizes e desamparados no degredo da Europa; na mesma terra madrasta que os viu nascer. O que gozarem da vida é o que esta terra de pretos, a troco de 20 anos de trabalho árduo, lhes proporcionar. Nós, os mais miúdos, somos a caricatura do branco ignorante em terras africanas. Depois da grande inquietação e do susto que os pretos nos causaram, lá os esfregamos, ainda a medo, para lhes tirar o carvão que lhes cobre a pele.
[MC Escher]


[EpiCurtas revisitado] Declaração de princípios, #1
Notas soltas sobre o caminho para a Direita portuguesa
- Ser uma direita laica. Podem ser católicos, podem ser judeus, podem ser islâmicos, podem ser ateus, podem ser maçons, podem nem saber o que são do ponto de vista religioso, mas saberão, sempre, separar religião e política.
- Ser uma direita liberal. Que acredita no mérito individual, que preza acima de tudo a liberdade e que acredita que são os privados o verdadeiro motor do progresso social.
- Ser uma direita conservadora. Que olha para a história com a tranquilidade de quem sabe que há valores mais importantes que aqueles que lupa do presente muitas vezes nos quer fazer crer, que acredita mais em reformas que em revoluções.
- Ser uma direita pluralista. Que respeita e acolhe no seu seio diversas sensibilidades, que é acolhedora e não discriminatória.
- Ser uma direita aberta. Que reconhece o papel dos partidos, mas que tem nos cidadãos independentes e comprometidos com a causa pública o seu principal aliado.
- Ser uma direita profissional. Composta por profissionais das mais diversas áreas, profissionais que participam na construção de soluções para os problemas que melhor conhecem. Uma direita com menos políticos profissionais e com mais profissionais políticos.
- Ser uma direita cívica. Feita de gente comprometida com causas sociais. Gente que está na sociedade civil, não poucas vezes a fazer o trabalho que nem o Estado nem as empresas querem ou conseguem fazer.
- Ser uma direita séria e honesta. Uma direita que assume sempre a verdade, mesmo quando as pessoas a não querem ouvir. Uma direita capaz de anunciar tempos de crise. Uma direita que não comprometa o futuro para falsear o presente.
- Ser uma direita responsável. Uma direita que se centre nas questões verdadeiramente estruturais para o desenvolvimento do país: a Educação e a Formação Profissional, as Empresas e o Emprego.
- Ser uma direita responsabilizadora. Que saiba e que diga claramente que não é nas mãos do Estado que está a responsabilidade do desenvolvimento, mas antes nas dos privados a quem o Estado não criará obstáculos. Mas uma direita que chame a si a tarefa de colocar em plenas condições de igualdade, sem paternalismos, todos os seus cidadãos; estejam eles no Chiado, na Cova da Moura ou em Corte Gafe no concelho de Mértola.

quinta-feira, maio 04, 2006

[Retratos dos nossos] Trás-os-montes, Carrazeda de Ansiães, 1954
O castanheiro centenário marcava a paisagem e a aldeia. Naqueles tempos não havia nada mais de que nos pudessemos orgulhar, para lá daquele castanheiro. Era, em boa verdade, a única coisa bela e a única coisa boa. Tudo o resto era uma existência miserável. Do amor - aquele que cantam os poetas - nunca lhe vimos, eu e os meus irmãos, sequer a sombra; nem o de mãe. O pastoreio era doloroso; com os pés descalços, no campo, não há flauta de pan que alivie a dor. A taberna do Jaquim era fétida e sombria e nós, com a nossa idade, nem sequer lá podiamos entrar. A água para a cozinha e para as lavagens - poucas - era transportada à mão, numa bacia, da fonte da aldeia até ao casebre desgraçado onde viviamos.

EpiCurtas e o envelhecimento na blogosfera
Durante 3 anos o EpiCurtas foi o meu blog. 3 anos! Eu que sou um diletante, olhando agora para trás, é com natural estranheza que vejo um rasto tão longo. É verdade que estive perto de o fechar várias vezes e é igualmente verdade que até criei (ou quase criei) outros blogs, mas era ao EpiCurtas que voltava, porque era no EpiCurtas que me sentia bem. O prazer é o principio e o fim de uma vida feliz era a frase de Epicurus que se lia por baixo do título do blog. E se durante muito tempo foi uma frase na qual me revi bastante, presentemente já nem tanto. Provavelmente envelheci...
O eMOLESKINE prefere, nesta fase da minha vida, a citação de Churchill: All great things are simple, and many can be expressed in single words: freedom, justice, honor, duty, mercy, hope.